quinta-feira, 14 de maio de 2015

Parte IV - Lembranças


O sol caia naquela tarde luminosa e o vento continuava todo o movimento. As árvores mexiam-se para o norte e para o sul e os pássaros lá em cima, caminhavam no ar das águas turvas de Icoaraci. O tempo passava com sutileza e abraçava o final de tarde que chegara.
Mariana, mãe de glória, fica a olhar para aquela gigantesca cobertura de água e lá longe a vista um navio e ali fica a pensar. Depois olha para a maresia prende a atenção no movimento da formação das ondas. Então começa a lembrar de quando conheceu Eduardo.
Mariana visitava aos finais de semana uma prima que morava na estrada do matadouro com a oito de maio. Aos domingos, sempre seguia para orla com a sua prima e passeava por longas horas. Muitas vezes ficava até a noite conversando com amigos e amigas que ali também passeavam.
Eduardo era filho de um artesão de cerâmica marajoara e todo o domingo ajudava o pai na venda na orla. Carregava muitas vezes sacolas com vários tipos de cerâmicas. A família do seu Jerônimo é de Soure e foi lá que aprendeu o ofício e também foi enterrado vítima de uma doença cerebral.
Nesse caminhar, Mariana olha para o Eduardo que vem chegando ao seu lado e fala:
- Lembra-se daquele dia amor?
- Claro meu bem.
- Você era tão tímido, hoje ainda também.
- Hoje menos, mas naquele tempo era demais. Quase não falo com você naquela tarde.
- Verdade. Passei por você varias vezes e nunca me olhava. Fiquei surpresa quando você falou comigo.
- Sim, fiquei por um longo tempo pensando o que iria dizer para você.
Era uma tarde chuvosa quando o Eduardo ficou sentado em um banco da orla para descansar depois de trabalho intenso. Sempre fazia isso nos finais de tardes, gostava de ficar olhando o movimento. Naquele dia aconteceu algo diferente, avistou uma menina que andava a procura de pipoca, sentiu algo que ainda não tinha sentido antes.
 Ele sempre olhava de uma forma com que aquela menina não pudesse avistar e se retraia quando aquela pessoa passava ao lado. Até que em certo momento aquela menina pede informação para Eduardo:
- Você poderia me informa aonde é a praia do cruzeiro?
- oh...é...fica pra lá.
- Obrigada!
- Tudo bem.
Naquele dia ficou a noite toda pensando naquela fala meiga e todo jeito que escutou e como aquela pessoa andava. Em sua casa  na rede, articulava a melhor forma de falar quando se encontrasse com aquela pessoa. No outro domingo ficou no mesmo banco da orla esperando a passagem da menina e que se concretizou pouco tempo depois.
Aquele dia Eduardo deixou a vergonha de lado e falou com Mariana. Desde aquele momento os dois não saem um do lado do outro. Casaram-se e tiveram filhos e hoje andam e seguem tocando a vida.
Mariana olhando um banco vazio  fala:
- Lá foi o nosso primeiro beijo
- Sim amor

 Ambos sentam no banco e começam a sorrir dos primeiros passos de Glória e o dia que seu Jerônimo deu um vaso vermelho que se quebrou no tropeço de Eduardo. Assim em um certo momento da conversa, um dos irmãos de Glória chega e pede para que o pai compre algodão doce,  então o mesmo olha para o carro do produto e segue para a compra.

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