domingo, 26 de abril de 2020

XXXI – O cochilo


Com algum tempo deitado na cama, João entra em um sono ali mesmo no local. Começa então a sentir uma sensação estranha de frio, como se alguém tivesse ligado o ar condicionado, mas cansado com a procura que estava fazendo, não se importa fica ali imóvel deitado na cama.

Depois de alguns minutos, levanta-se e fica sentado na beirada, e percebe que os objetos ao redor estavam fora de lugar e também observa que a luz do banheiro que estava desligada, fica a liga e a desligar de modo contínuo, então ele pensa, será que deu problema de novo na afiação.

Olha em seguida para a porta do quarto e ali ver a madeira demasiada velha, mas ficou a pensar consigo mesmo, aquela porta eu comprei nem faz ano e já se encontra assim, oh que prejuízo. Fica então estático por alguns minutos, até que decide se levantar para buscar algo para comer na cozinha.

Abre a porta do quarto e não ver ninguém na casa, ele fica então a entender que os filhos ainda não tinham chegado do colégio, assim como os familiares estavam a caminho para falar com ele e não tinham chegado. Então João segue até a cozinha para comer algo, pois já faz algumas horas que tinha feito um lanche.

Pega pedaço de pão, queijo que se encontra na geladeira, suco de laranja e coloca tudo em cima da mesa de alumínio que se encontra no centro da localidade e põe para proceder com a refeição. Sente novamente um frio intenso e questiona, já que em Belém naquele momento estava demasiado de quente.

O rapaz se senta a mesa e prontifica a pegar as refeições para comer, olha para o relógio de parede e ele tenta ver a hora, mas aquele relógio estava parado, então resmunga, caramba já acabou a pilha. Depois de meia hora à mesa, busca seguir para a pia e lavar as mãos.

A água estava muito barrenta, João então vai à geladeira para pegar o líquido mineral limpo para proceder com a limpeza.  Lava as mãos com água e sabão e logo em seguida busca a toalha para se secar. Logo depois segue de volta para o seu quarto, antes de prosseguir perceber um detalhe, a televisão da sala se encontrava ligada, mas ele não ligou muito, já que em alguns momentos os filhos deixavam a tevê assim e saiam da casa.

Quando João abre a porta do seu quarto, ele escuta um barulho estranho pela banda do banheiro, e pensa consigo mesmo, mas como assim estou sozinho em casa como alguém pode se encontrar no meu banheiro. Ele pensa que é algum tipo de ladrão da redondeza que adentrou a sua propriedade e logo se prontifica a pegar algo, para enfrentar aquele invasor.

Assim segue até a porta do banheiro, as luzes ainda se encontram de modo continuo a ligar e a desligar. Quando ele chega à proximidade as luzes do banheiro param de piscar e ali dentro fica escuro. Mas prossegue com seu plano de ver e pegar aquele indivíduo que ali quer o roubar.

Ao abrir a porta olha para dentro do banheiro e não ver ninguém, logo em seguida escuta uma voz feminina de dentro do quarto atrás dele.

- João...João...João.

Assim pensou consigo mesmo que aquela voz ele conhecia de algum lugar, então se prontificou a voltar para o quarto.

Quando olha para dentro do quarto em um canto ver uma mulher de costa para parede, de vestido branco imóvel. Ali ele fica assustado, já que não conseguia lembrar daquela pessoa ou ate mesmo, entender o que faria aquele ser ali parado no seu quarto.

- Ei você, quem é? João pergunta.

Aquela pessoa ali de costa de frente para a parede fica em silêncio, apenas se mexe um pouco mais para frente contra a parede. O rapaz curioso querendo saber mais, pergunta novamente.

- Ei você, o que tá fazendo aí?
Até que depois de alguns minutos aquela pessoa vira.
- Glória!!!!?

Logo em seguida ele cai como uma manga madura da cama, e bate o braço. Fica ali no chão por alguns instantes até que a dor passe, sem saber muito que pensar da experiência que acabara de ter, será um sonho? Ele questionava. Então levanta e ver a foto que estava beijando Glória, e percebe na roupa que a mulher que acabara de ver no cochilo, era a mesma daquela fotografia.

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