Logo
que o médico entra na sala de cirurgia a enfermeira olha para ele e acena com a
cabeça de modo negativo.
-
Doutor, ela não vai resistir. Ela se encontra muito fraca.
-
Vamos tentar até o fim. Sabemos que o câncer se encontra em fase terminal e
diversos órgãos estão afetados. Nós precisamos de paciência até que a ultima
esperança seja esgotada.
Então
o profissional pega uma roupa verde um avental e pede para que todos estejam
preparados para a cirurgia, pois tentaria retirar o órgão mais afetado para dar
mais um tempo de vida para a moça.
Depois
de algumas horas fazendo o procedimento cirúrgico, a jovem adentra em uma
parada cardíaca, vários que ali participavam da intervenção tentam uma massagem
para reanimar aquele ser. Depois de diversas tentativas e utilização de alguns medicamentos
para fazer com que aquele corpo que começava a ficar estático se movesse, foram
em vão.
O
doutor sai de seu posicionamento cansado, já que foram algumas horas com foco para
reverter o quadro da mulher. Olha para os companheiros que ali estavam e visualiza
a situação, acena com a cabeça de forma negativa.
-
Nós tentamos meus amigos, infelizmente a vida tem dessas coisas. Eu terei que
avisar os familiares do ocorrido. E enfermeira faça os devidos preenchimentos para protocolo do hospital.
-
Entendido...
Já
se passava das seis da manhã de uma madrugada com grande movimentação no
hospital. Naquele dia o médico teria que dar uma notícia não tão agradável para
aquela família que ali estavam esperando um nascimento de um ser. Mas que
infelizmente também estariam presenciando a morte imprevisível de alguém.
O
profissional saindo da sala vai a um
local onde se encontra uma garrafa de café com leite, ele pega um pouco no copo
e senta em uma mesa de alumínio para tomar o líquido quente. Fica ali a pensar
por cinco minutos até que toma coragem e bebe o que resta do café de uma vez só,
assim, segue até o corredor onde se encontravam os familiares amigos da moça.
-
Olá senhores, bom dia.
-
Como os bebês estão? Alguém pergunta.
-
Ah sim, senhores. Os bebês estão uma maravilha. Estão com muita saúde e nos
próximos dias já podem ir para a casa.
-
Que bom. João afirma.
-
Você é o marido da moça? Pergunta o doutor.
-
Sim. Como a Glória se encontra?
Então
o médico olha para os outros e abaixa a cabeça, fica a pensar por alguns
segundos, e convida João para que ele possa seguir até uma sala próxima tomar
um café conversar sobre algo. O marido atenciosamente aceita aquele pedido,
pois precisava tomar qualquer coisa depois de uma noite em claro sem dormir.
Depois
de certo tempo os dois na mesa de alumínio conversam sobre vários assuntos e o cirurgião
percebe que aquele seria o momento certo para informa que a moça tinha morrido.
Já sabia que naquele instante a enfermeira que acompanhava a cirurgia já tinha
informado a família sobre a morte e os procedimentos iniciais para o velório.
-
Bem meu amigo João. Estamos vivendo um dia iluminado. Veja como a vida é boa.
-
Verdade doutor.
-
A vida é como uma construção de algo, nós temos o que cultivamos, assim como
também só somos felizes, quando aprendemos a viver. Mesmo nas mais alegres
situações, também nas mais tristes situações. Ter a habilidade de aprender algo
com tudo da vida é uma dádiva, uma experiência para um grande futuro.
-
Sim doutor, verdade. Mas como ficou a minha esposa depois do parto?
-
Bem meu querido amigo, ela estava muito fraca por conta do parto. Acabou tendo
umas complicações por conta da doença. Infelizmente não se encontra mais entre
a gente. Fiz de tudo meu amigo, mas não pude evitar.
-
Ah não!
Naquele
momento João começa a pensar nas várias lembranças que teve com a Glória. Os
muitos erros e acerto e diferentes situações que só pode ter tido por conta da
sua esposa. Fica ali a lacrimejar por alguns minutos, um pouco antes o médico
foi chamado para outra emergência e já tinha saído da sala. Aquele ser
solitário fica sem muito que fazer. Até que em um momento a mãe do rapaz percebendo
a demora, vai de encontro a ele e ver a situação e o abraça silenciosamente.
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