domingo, 29 de setembro de 2019

XXVIII - A morte imprevisível


       Logo que o médico entra na sala de cirurgia a enfermeira olha para ele e acena com a cabeça de modo negativo.

- Doutor, ela não vai resistir. Ela se encontra muito fraca.
- Vamos tentar até o fim. Sabemos que o câncer se encontra em fase terminal e diversos órgãos estão afetados. Nós precisamos de paciência até que a ultima esperança seja esgotada.

Então o profissional pega uma roupa verde um avental e pede para que todos estejam preparados para a cirurgia, pois tentaria retirar o órgão mais afetado para dar mais um tempo de vida para a moça.

Depois de algumas horas fazendo o procedimento cirúrgico, a jovem adentra em uma parada cardíaca, vários que ali participavam da intervenção tentam uma massagem para reanimar aquele ser. Depois de diversas tentativas e utilização de alguns medicamentos para fazer com que aquele corpo que começava a ficar estático se movesse, foram em vão.

O doutor sai de seu posicionamento cansado, já que foram algumas horas com foco para reverter o quadro da mulher. Olha para os companheiros que ali estavam e visualiza a situação, acena com a cabeça de forma negativa.

- Nós tentamos meus amigos, infelizmente a vida tem dessas coisas. Eu terei que avisar os familiares do ocorrido. E enfermeira faça os devidos preenchimentos  para protocolo do hospital.

- Entendido...

Já se passava das seis da manhã de uma madrugada com grande movimentação no hospital. Naquele dia o médico teria que dar uma notícia não tão agradável para aquela família que ali estavam esperando um nascimento de um ser. Mas que infelizmente também estariam presenciando a morte imprevisível de alguém.

O  profissional saindo da sala vai a um local onde se encontra uma garrafa de café com leite, ele pega um pouco no copo e senta em uma mesa de alumínio para tomar o líquido quente. Fica ali a pensar por cinco minutos até que toma coragem e bebe o que resta do café de uma vez só, assim, segue até o corredor onde se encontravam os familiares amigos da moça.

- Olá senhores, bom dia.
- Como os bebês estão? Alguém pergunta.
- Ah sim, senhores. Os bebês estão uma maravilha. Estão com muita saúde e nos próximos dias já podem ir para a casa.
- Que bom. João afirma.
- Você é o marido da moça? Pergunta o doutor.
- Sim. Como a Glória se encontra?

Então o médico olha para os outros e abaixa a cabeça, fica a pensar por alguns segundos, e convida João para que ele possa seguir até uma sala próxima tomar um café conversar sobre algo. O marido atenciosamente aceita aquele pedido, pois precisava tomar qualquer coisa depois de uma noite em claro sem dormir.

Depois de certo tempo os dois na mesa de alumínio conversam sobre vários assuntos e o cirurgião percebe que aquele seria o momento certo para informa que a moça tinha morrido. Já sabia que naquele instante a enfermeira que acompanhava a cirurgia já tinha informado a família sobre a morte e os procedimentos iniciais para o velório.

- Bem meu amigo João. Estamos vivendo um dia iluminado. Veja como a vida é boa.
- Verdade doutor.
- A vida é como uma construção de algo, nós temos o que cultivamos, assim como também só somos felizes, quando aprendemos a viver. Mesmo nas mais alegres situações, também nas mais tristes situações. Ter a habilidade de aprender algo com tudo da vida é uma dádiva, uma experiência para um grande futuro.

- Sim doutor, verdade. Mas como ficou a minha esposa depois do parto?

- Bem meu querido amigo, ela estava muito fraca por conta do parto. Acabou tendo umas complicações por conta da doença. Infelizmente não se encontra mais entre a gente. Fiz de tudo meu amigo, mas não pude evitar. 

- Ah não!

Naquele momento João começa a pensar nas várias lembranças que teve com a Glória. Os muitos erros e acerto e diferentes situações que só pode ter tido por conta da sua esposa. Fica ali a lacrimejar por alguns minutos, um pouco antes o médico foi chamado para outra emergência e já tinha saído da sala. Aquele ser solitário fica sem muito que fazer. Até que em um momento a mãe do rapaz percebendo a demora, vai de encontro a ele e ver a situação e o abraça silenciosamente.


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