domingo, 1 de setembro de 2019

XXIII – A visita na casa de João


Já se passava de meio-dia quando João percebe Glória dando sinal dentro do ônibus para descer na parada que o menino ali esperava sentado. O garoto se prontifica a ficar é pé para recebe a namorada. Quando a garota descer ela olha para o menino fala:


- Oi, como estais?
- Estou bem. Com pouco de calor, porém, estou bem.
- Ah sim. Muito tempo esperando ae? Você mora por onde?
- Não, não, moro logo naquela rua à frente. Vamos é aqui perto.
- Tá bom. A sua mãe tá em casa?
- Sim.
- E seu pai?
- Bem ele não é vivo, depois fala sobre o papai.
- Tá.


Depois de alguns minutos os dois jovens chegam a casa, logo Glória percebe uma fumaça muito intensa na parte traseira do imóvel.


- O que é aquilo?
- Nada não. Só a mamãe colocando o churrasco no fogo.
- É para você?
- Para mim?
- É?
- Sei não.

Logo que os dois entram na casa vão direto para o quintal, lá se encontrava a maioria dos familiares do garoto, então o mesmo prontificou apresenta a garota. Muitos ali dos familiares estavam com a carne na boca, farofa, outros pegando pedaço de alguma parte da refeição. Então eles olharam cumprimentaram e continuaram a rotina, comer e comer, mais e mais.

Depois que a família conheceu o casal, os dois jovens foram se sentar em um tronco de uma árvore e ali se arrumaram para se alimentarem. Pouco momento depois dona Jacinta chega perto e pergunta se a menina quer algo. A jovem um tanto envergonhada pede apenas um pedaço de calabresa com um pouco de feijão, farofa e arroz. O João pede também, mas a mãe fala que o mesmo pode ir lá pegar como quiser melhor.

No decorrer de alguns minutos ambos estavam fazendo refeição juntos e ficavam a conversar sobre diversas questões. Algo que ligava os dois era pensar a sociedade de maneira igualitária, mais justa e perceber que as pessoas possuem algo que vai além do dinheiro e que possam viver de modo a entender melhor um ao outro. Muitas ideias novas vinham de leituras marxistas que ambos tinham lido na faculdade.

O casal passava um bom tempo conversando sobre questões sociais e diversas escalas e pensavam utilizar aquilo que entendiam na universidade e colocar de maneira prática na vida. Alguns colegas da classe não entendiam muito bem o motivo de alguém querer fazer aquilo, mas havia certo empenho para desenvolvimento de ideias que os dois se ligavam.

Quando o casal percebe, já se passava das cinco da tarde, logo a Glória teria que ir, já que tinha falado para a mãe que estaria em casa às seis. Então segue para se despedir dos familiares do João.


- Oi gente, muito obrigada. Hoje foi um dia muito feliz e agradeço vocês.
          - De nada. A família responde.


A dona Jacinta percebendo a despedida fala que quando ela quiser vim pode visitar a casa que todos estarão de brações abertos. Então a menina agradece e segue para a parte da frente da casa. O seu namorado segue logo depois para a menina na parada.

No caminho para pegar o ônibus os dois percebem urubus voando entre as nuvens. Ambos ficam a pensar como aqueles pássaros voam tão bem, ainda muitas vezes contra o vento. Então ambos pensam e conversam sobre as relações das pessoas que ocorrem aqui em baixo. Será que eles são livres? Ou somos nós presos? Um questiona.

Na parada os dois ficam por um instante esperando a condução, então:


- Lá vem o seu ônibus. João avisa.
- Tá ok. Já vou indo João.
- Tá bom.


O ônibus para e a menina sobe e se prontifica a pagar passagem. E logo vai para a parte do fundo do veículo. E ali fica a olhar o garoto seguindo a caminho da casa logo à frente. O menino olha muitas vezes para o alto, outras vezes para o coletivo e tenta perceber se tudo estava ocorrendo bem e assim segue, até que o motorista engata a primeira e a garota perde o desfecho da caminhada do garoto.

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