Já
se passava de meio-dia quando João percebe Glória dando sinal dentro do ônibus
para descer na parada que o menino ali esperava sentado. O garoto se prontifica
a ficar é pé para recebe a namorada. Quando a garota descer ela olha para o
menino fala:
-
Oi, como estais?
-
Estou bem. Com pouco de calor, porém, estou bem.
-
Ah sim. Muito tempo esperando ae? Você mora por onde?
-
Não, não, moro logo naquela rua à frente. Vamos é aqui perto.
-
Tá bom. A sua mãe tá em casa?
-
Sim.
-
E seu pai?
-
Bem ele não é vivo, depois fala sobre o papai.
-
Tá.
Depois
de alguns minutos os dois jovens chegam a casa, logo Glória percebe uma fumaça
muito intensa na parte traseira do imóvel.
-
O que é aquilo?
-
Nada não. Só a mamãe colocando o churrasco no fogo.
-
É para você?
-
Para mim?
-
É?
-
Sei não.
Logo
que os dois entram na casa vão direto para o quintal, lá se encontrava a
maioria dos familiares do garoto, então o mesmo prontificou apresenta a garota.
Muitos ali dos familiares estavam com a carne na boca, farofa, outros pegando
pedaço de alguma parte da refeição. Então eles olharam cumprimentaram e
continuaram a rotina, comer e comer, mais e mais.
Depois
que a família conheceu o casal, os dois jovens foram se sentar em um tronco de
uma árvore e ali se arrumaram para se alimentarem. Pouco momento depois dona
Jacinta chega perto e pergunta se a menina quer algo. A jovem um tanto
envergonhada pede apenas um pedaço de calabresa com um pouco de feijão, farofa
e arroz. O João pede também, mas a mãe fala que o mesmo pode ir lá pegar como
quiser melhor.
No
decorrer de alguns minutos ambos estavam fazendo refeição juntos e ficavam a
conversar sobre diversas questões. Algo que ligava os dois era pensar a
sociedade de maneira igualitária, mais justa e perceber que as pessoas possuem
algo que vai além do dinheiro e que possam viver de modo a entender melhor um ao
outro. Muitas ideias novas vinham de leituras marxistas que ambos tinham lido
na faculdade.
O
casal passava um bom tempo conversando sobre questões sociais e diversas
escalas e pensavam utilizar aquilo que entendiam na universidade e colocar de
maneira prática na vida. Alguns colegas da classe não entendiam muito bem o
motivo de alguém querer fazer aquilo, mas havia certo empenho para desenvolvimento
de ideias que os dois se ligavam.
Quando
o casal percebe, já se passava das cinco da tarde, logo a Glória teria que ir,
já que tinha falado para a mãe que estaria em casa às seis. Então segue para se
despedir dos familiares do João.
-
Oi gente, muito obrigada. Hoje foi um dia muito feliz e agradeço vocês.
- De nada. A família responde.
A
dona Jacinta percebendo a despedida fala que quando ela quiser vim pode visitar
a casa que todos estarão de brações abertos. Então a menina agradece e segue
para a parte da frente da casa. O seu namorado segue logo depois para a menina na
parada.
No
caminho para pegar o ônibus os dois percebem urubus voando entre as nuvens.
Ambos ficam a pensar como aqueles pássaros voam tão bem, ainda muitas vezes
contra o vento. Então ambos pensam e conversam sobre as relações das pessoas
que ocorrem aqui em baixo. Será que eles são livres? Ou somos nós presos? Um
questiona.
Na
parada os dois ficam por um instante esperando a condução, então:
-
Lá vem o seu ônibus. João avisa.
-
Tá ok. Já vou indo João.
-
Tá bom.
O
ônibus para e a menina sobe e se prontifica a pagar passagem. E logo vai para a
parte do fundo do veículo. E ali fica a olhar o garoto seguindo a caminho da
casa logo à frente. O menino olha muitas vezes para o alto, outras vezes para o
coletivo e tenta perceber se tudo estava ocorrendo bem e assim segue, até que o
motorista engata a primeira e a garota perde o desfecho da caminhada do garoto.
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