Sentado
embaixo da árvore com bicicleta e amigos em frente ao colégio onde estuda o
Vilhena Alves, João decide entrar. Tinha prometido para a mãe dona Jacinta,
estaria fazendo a prova e naquele ano iria prestar vestibular. Estava em seu
último ano de ensino médio e queria ser doutor, ou melhor, advogado.
O
seu Alcemir pai do garoto morava em Outeiro, era vigilante na Praia Grande,
porém por algum motivo, foi assassinado pelas costas, faz poucas semanas do
ocorrido, até então ninguém solucionou o crime. O menino queria tirar aquela
magoa do coração, pois no dia do crime, teve um imprevisto estava sem dinheiro
e não pode acompanhar o pai. Os pais eram separados, mas João ficava junto de
ambos, não era distante.
Então
entra para a prova de Química, não gostava muito daquela matéria, mas mesmo com
dificuldades, era aluno aplicado e seguia corretamente as avaliações e tinha
boas notas. A primeira questão tratava de isomeria dinâmica, logo percebeu os
carbonos a formula e ficou a pensar e falar baixinho.
-
Ah que garota linda, qual será o nome dela? Terá namorado...?
Quando
percebe já se passaram alguns minutos, logo se prontifica a desenvolver
responder o teste avaliativo. O seu colega Lucas, fica a olhar sério para o
menino, algumas vezes joga desesperado uns papéis picados na costa de João, mas
sem nenhum sucesso. Quando o professor percebe e diz:
-
Ei você aí. Lucas me passe a sua prova. Está reprovado por cola. Vamos me siga
à secretaria.
Os
alunos que ali prestavam exame ficam assombrados com aquele tipo de ocasião.
Alguns começam a tremer, outros pedem para ir ao banheiro, outros tentam
disfarçar o nervosismo.
-
Mas professor, eu não fiz nada. Veja o senhor tem alguma prova de cola aqui.
Reclama Lucas.
-
Esta bem. Mas na próxima não tem conversa. Rua e rua. Tá bom?.
-
Ah professor. Tá bem.
No
final de alguns meses ocorreria a prova do vestibular. A maioria dos alunos da
classe queria prestar o teste. O silêncio no decorrer do ano foi frequente
quando os professores entravam na sala para explica alguma coisa importante
para o Exame Nacional do Ensino Médio.
Entre
várias ocasiões alguns procuravam ter reforço em algum cursinho de baixo custo
por Belém. Acreditavam que o estudo extra, proporcionaria melhor nota para um
bom curso que desse melhor futuro para família de muitos deles.
O
menino João estudava de madrugada tempo que todos na casa, a avó, a mãe, os
tios e três irmãos mais novos iam dormir. Não tinha condição para um cursinho o
pouco que tinha comprava algo básico para alimentação. Naquele último ano, era
cada vez mais difícil de sair, quando tinha vontade, não poderia ir
por algum motivo.
A
casa de madeira na Cremação localizada na Rua dos Timbiras possui poucas
divisões e fica cheia de rede à noite. O
garoto estudava entre um embalo e outro do tio Jerônimo, um feirante que
acordava cedo e andava com seu carro de madeira com frutas e legumes, por
algumas ruas da cidade.
Muitas vezes o jovem ficava
com uma vela ao seu lado, pois a família tinha tempos que não conseguia pagar a
energia. Mas seguia o caminho que o aproximava de alguma coisa, fica ali a
pensar, bons tempos.
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