segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

VII – Avaliação

Sentado embaixo da árvore com bicicleta e amigos em frente ao colégio onde estuda o Vilhena Alves, João decide entrar. Tinha prometido para a mãe dona Jacinta, estaria fazendo a prova e naquele ano iria prestar vestibular. Estava em seu último ano de ensino médio e queria ser doutor, ou melhor, advogado.

O seu Alcemir pai do garoto morava em Outeiro, era vigilante na Praia Grande, porém por algum motivo, foi assassinado pelas costas, faz poucas semanas do ocorrido, até então ninguém solucionou o crime. O menino queria tirar aquela magoa do coração, pois no dia do crime, teve um imprevisto estava sem dinheiro e não pode acompanhar o pai. Os pais eram separados, mas João ficava junto de ambos, não era distante.

Então entra para a prova de Química, não gostava muito daquela matéria, mas mesmo com dificuldades, era aluno aplicado e seguia corretamente as avaliações e tinha boas notas. A primeira questão tratava de isomeria dinâmica, logo percebeu os carbonos a formula e ficou a pensar e falar baixinho.

- Ah que garota linda, qual será o nome dela? Terá namorado...?

Quando percebe já se passaram alguns minutos, logo se prontifica a desenvolver responder o teste avaliativo. O seu colega Lucas, fica a olhar sério para o menino, algumas vezes joga desesperado uns papéis picados na costa de João, mas sem nenhum sucesso. Quando o professor percebe e diz:

- Ei você aí. Lucas me passe a sua prova. Está reprovado por cola. Vamos me siga à secretaria.

Os alunos que ali prestavam exame ficam assombrados com aquele tipo de ocasião. Alguns começam a tremer, outros pedem para ir ao banheiro, outros tentam disfarçar o nervosismo.

- Mas professor, eu não fiz nada. Veja o senhor tem alguma prova de cola aqui. Reclama Lucas.
- Esta bem. Mas na próxima não tem conversa. Rua e rua. Tá bom?.

- Ah professor. Tá bem.

No final de alguns meses ocorreria a prova do vestibular. A maioria dos alunos da classe queria prestar o teste. O silêncio no decorrer do ano foi frequente quando os professores entravam na sala para explica alguma coisa importante para o Exame Nacional do Ensino Médio.

Entre várias ocasiões alguns procuravam ter reforço em algum cursinho de baixo custo por Belém. Acreditavam que o estudo extra, proporcionaria melhor nota para um bom curso que desse melhor futuro para família de muitos deles.

O menino João estudava de madrugada tempo que todos na casa, a avó, a mãe, os tios e três irmãos mais novos iam dormir. Não tinha condição para um cursinho o pouco que tinha comprava algo básico para alimentação. Naquele último ano, era cada vez mais difícil de sair, quando tinha vontade, não poderia ir por algum motivo.  

A casa de madeira na Cremação localizada na Rua dos Timbiras possui poucas divisões e fica cheia de rede à noite. O garoto estudava entre um embalo e outro do tio Jerônimo, um feirante que acordava cedo e andava com seu carro de madeira com frutas e legumes, por algumas ruas da cidade.

Muitas vezes o jovem ficava com uma vela ao seu lado, pois a família tinha tempos que não conseguia pagar a energia. Mas seguia o caminho que o aproximava de alguma coisa, fica ali a pensar, bons tempos.

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