A
menina Glória como de costume, para acordar cedo, dorme por volta das dez horas
da noite. Janta fica de frente a televisão na sala e depois, sobe a escada em
direção ao quarto.
O
apartamento fica localizado na Avenida Serzedelo Corrêa perto da Rua Gama Abreu
no centro de Belém. A escola fica algumas quadras, mas o pai da garota não
gosta que a filha vá andando, pois acredita que poderá ser perseguida,
assaltada, sofrer algo.
No
dia seguinte a garota acorda assustada, percebe que o despertador conta seis
horas da manhã, sinal para levantar e ir ao banheiro. Achou estranho aquele
troço não ter tocado antes, então acredita que tocou, mas por ter sono pesado,
não ouviu o aparelho.
Vai para o banheiro
que fica localizado na parte de baixo do apartamento, toma banho, escova os
dentes e vai para o quarto se arrumar, pois terá prova e tem que manter a
média, como em outras ocasiões.
Quando
vai para a refeição da manhã achou estranho, ninguém estava para acompanhar,
porém a mesa estava com bolo, pão, suco, queijo, café, prontificou a pegar os
produtos para comer. Uma vez ou outra olhava para o relógio na parede e pensa
em não se atrasar.
Quando
terminou o café da manhã, foi até o quarto dos pais, porém ninguém estava lá,
andou por outros quartos do local, mas não encontrou uma alma viva na localidade.
-
Estranho papai me leva de carro para escola. Enfim, terei que ir a pé mesmo.
Bom para a saúde.
Então pega a mochila e olha novamente para o relógio já era sete e meia, teria que chegar às oito. Prontificou a
seguir para a porta e deixa a chave debaixo do tapete em seguida entrar no
elevador. No corredor do prédio um senhor aparece e olha firmemente
para a menina:
- Oi garotinha, bons tempos!
-
Oi senhor, bons tempos. Hoje não vai ter chuva né?
-
Não garotinha, só outros ventos do norte.
A
garota não entendeu muito bem aquilo, mas seguiu a caminhada. Chegando ao portão de saída do
prédio preto de ferro, grita para o Wilson, o porteiro abrir aquilo, porém quando
olha com atenção para a guarita, ninguém aparece. Então o portão enferrujado abre
com o vento e Glória segue o percussor.
-
Aquele porteiro de novo chegando atrasado. Ainda bem que posso passar e ir para o colégio. Então sai do prédio.
Próximo a Praça da República vai de encontro a um ambulante que vende bala doce.
Próximo a Praça da República vai de encontro a um ambulante que vende bala doce.
-
Quero duas mentas e um pirulito. Por favor, senhor.
-
Tudo bem.
- Opa obrigada, aqui tá o dinheiro.
-
Menina, bons tempos!
-
Obrigada!
Quando
ela acaba de pegar os bombons e vai virando, esbarra em alguém, cai o caderno
que segura com a papelada dentro.
-
Oh, não! Meus documentos.
-
Calma, calma, deixa que eu pego.
Quando
Glória percebe aquele menino, lembra de que já tinha visualizado ele na Praça
da Batista Campos. E pensa calada, sim é ele, aquele garoto da praça.
-
Tome tá aqui os documentos tudo em ordem senhora.
-
Sim, sim. Obrigada!
Como
se fosse algo de ordem magnética estranha um fica a olhar um para outro por
alguns segundos. Calados ali na calçada sem qualquer esboço de reação por
nenhuma das partes. Como algo de ordem
natural cálculo universal da vida humana, ambos se aproximam e se beijam. Ocorre um abraço forte por parte do garoto e a menina, entrega-se aquilo
que ainda não tinha experimentado.
Começa a sentir um aperto no coração e fica com a face vermelha, mas deixa que tudo ocorra tranquilamente. Pensa nas pessoas que até então tinha conhecido e também naquilo que acabara de conhecer e nos braços do menino pensa:
-
Nossa! Bons tempos...
Naquele
momento de tranquilidade escuta um grito gigante, longe, distante, é a mãe:
-
Glória! Gloria!!. Bora!!! vem pra cá tomar seu café. Encontra-se atrasada
garota. Vamos, Bora!!!!
Aquele
momento de tranquilidade vai para o encontro de um turbilhão, cai como um Açaí
maduro da cama.
-
Já vou mãe! Calma que estou indo. Não precisa gritar!!
Fica
por uns segundo sentada no lado da cama a ter um olhar distante para o
horizonte. Levanta e arruma a cama com pressa, mas fica com aquela sensação
aquele olhar que até então, não saberia entender, descrever, nem racionalizar
somente.
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