sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

V - A Cruz da orla

As duas meninas Glória e Aline chegam até o ponto que fica uma cruz, um monumento de mais ou menos dois metros de altura, e ali se sentam para olhar o movimento da orla. Neste momento percebem que lá para as bandas da Praia do Cruzeiro, distante cerca de trezentos metros, tem um alvoroço e reparam que é de alguma aparelhagem.

Aline capta aquilo, fala com a prima:
- Glorinha, você que ir lá na aparelhagem? Tem muita gente olha lá!
- Não sei prima, já é um pouco tarde.
- Mas é rápido a gente só dar uma passada por lá.
- Vamos ficar aqui hoje. É melhor.
- Ah! Prima, tá bom.

No instante em que as duas conversam, passa grande quantidade de meninos com bicicletas seguindo o caminho para a Praia do Cruzeiro. As pessoas prestam atenção no ocorrido, na agitação, menos as duas jovens que ali ficam a conversar.

Em certo momento um dos garotos vai ao encontro das meninas e pede que elas deem os seus celulares. Mas Aline questiona aquilo e começa então uma discussão.  Ali perto se encontra um policial sem farda e visualiza aquele ocorrido.

Antes que o garoto consiga levar os aparelhos o policial chega perto das meninas e pergunta o que ele fala com elas. O menino fica sem saber o que fazer e sai dali do local. Calado e sem falar mais nada com ninguém segue o caminho para outro local.

- Vocês estão bem meninas?

Aline olha aquela pessoa como algo que nunca tinha visto antes. Sem ligar muito para a situação que acabara de acontecer, deslumbra-se com aquele homem de cabeça aos pés, então diz:

- Claro...Claro...Que sim, obrigada! obrigada mesmo!

A menina Glória assustada e com a cara branca de medo visualiza aquele moço e fica por uma instante estática sem saber muito que fazer. Não sabe muito bem o que falar, mas ali fica e pensa:

- Obrigada senhor. Salvou nossa vida. Tanto tempo que venho aqui, isso ainda não tinha acontecido.
- Verdade, também não vejo muito isso por aqui. Venho sempre ao final de semana. Frequentemente tenho vindo ao domingo. Ah sim, meu nome é Rogério Souza Cruz, sou da Polícia.

As duas primas regalaram os olhos e percebem como aquilo ali poderia ter rendido mais, uma prisão. Talvez sair no jornal “Meninas foram salva por um rapaz, extra! extra!”. Então, as duas garotas se apresentam:

- Meu nome é Glória
- Meu Aline...Senhor...
- Ah sim! Gloria e Aline, prazer em conhecer vocês. Estejam sempre em alerta para que nada de ruim ocorra.
Com o terminar daquelas palavras Aline fica toda vermelha e olha seriamente para aquele  rapaz e diz:
- Tudo...Tudo...Bem meu caro senhor.

Naquele momento o rapaz volta para o seu lugar onde estava tomando um sorvete. As duas meninas sentam-se de volta ao redor do monumento e agradecem olhando para o mesmo.

Nunca tinham notado a cruz monumental e que a parti de então, veem como algo a mais. Principalmente Aline que sentia que tinha encontrado alguém especial e que ali virou algo com outro significado sentimental.

 Enquanto isso o vento começa a ficar forte e as árvores balançam com maior intensidade. E o vendedor de coco arrumando a barraca grita:

- Vem chumbo grosso por aí. É muita água!

As pessoas da orla começam a se movimentar por conta da aproximação da chuva e com o potencial hídrico amazônico que cai lá de cima.

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