quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

IV - Lembranças

O sol caia naquela tarde luminosa e o vento continuava o movimento da natureza. As árvores mexiam-se para o norte e para o sul e os pássaros lá em cima, caminhavam no ar das águas turvas de Icoaraci. O tempo passava com sutileza e abraçava a noite que chegara.

A mãe de glória, Mariana, fica a olhar para aquela gigantesca cobertura de água e lá longe visualiza um navio e fica a pensar. Depois olha para a maresia prende a atenção no movimento da formação das ondas. Começa a lembrar de quando conheceu Eduardo, o esposo.

Tempos em tempos, Mariana visitava aos finais de semana uma prima que morava na Estrada do Matadouro com a Oito de Maio. Aos domingos, seguia para orla com a sua prima e passeava por ali por horas. Muitas vezes ficava até a noite conversando com amigos e amigas que ali também se encontravam.

Já o Eduardo, era filho de um artesão de cerâmica marajoara e aos domingos ajudava o seu Jerônimo na venda na orla. Carregava muitas vezes sacolas com vários tipos de cerâmicas. A família do seu pai é de Soure e foi lá que o senhor virou artesão  aprendeu o ofício com os irmãos e foi enterrado vítima de uma doença cerebral.

Nesse momento, Mariana olha para o Eduardo que vem chegando ao seu lado e fala:
- Lembra-se daquele dia amor?
- Claro meu bem.
- Você era tão tímido, hoje ainda também.
- Hoje menos, mas naquele tempo era demais. Quase não falo com você naquela tarde.
- Verdade. Passei por você varias vezes e nunca me olhava. Fiquei surpresa quando você falou comigo.
- Sim, fiquei por um longo tempo pensando o que iria dizer para você.

A lembrança era de uma tarde chuvosa de quando o Eduardo ficou sentado em um banco da orla para descansar depois de trabalho intenso. Fazia o oficio aos finais de tardes, gostava de ficar olhando o movimento. Naquele dia aconteceu algo diferente, notou uma menina que andava a procura de pipoca, sentiu algo que ainda não tinha sentido antes.

Ele olhava sem que a garota percebesse e quando a menina chegava perto se retraia. Até que em certo momento aquela jovem pediria uma informação para o garoto Eduardo:

- Você poderia me informa aonde é a Praia do Cruzeiro?
- Oh...é...fica pra lá.
- Obrigada!
- Tudo bem.

Naquele dia ficou a noite  pensando naquela fala meiga e o  jeito que escutou e como aquela pessoa andava com harmonia. Na casa dentro da rede, articulava a melhor forma de falar quando se encontrasse com aquela menina. No outro domingo ficou no mesmo banco da orla esperando a passagem da garota e se concretizou pouco tempo depois..

Aquele dia Eduardo deixou a vergonha de lado e falou com Mariana. Desde aquele momento os dois não saem um do lado do outro. Casaram-se e tiveram filhos e hoje andam e seguem tocando a vida.

Mariana olhando um banco vazio fala:
- Lá foi o nosso primeiro beijo mor.
- Sim amor.

 Ambos sentam no banco e começam a sorrir dos primeiros passos de Glória e o dia que seu Jerônimo deu um vaso vermelho que se quebrou no tropeço de Eduardo. Em certo momento da conversa, um dos irmãos de Glória chega e pede para que o pai compre algodão doce, o mesmo olha para o carro do produto e segue para a compra.

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