O sol
caia naquela tarde luminosa e o vento continuava o movimento da natureza. As
árvores mexiam-se para o norte e para o sul e os pássaros lá em cima,
caminhavam no ar das águas turvas de Icoaraci. O tempo passava com sutileza e
abraçava a noite que chegara.
A mãe
de glória, Mariana, fica a olhar para aquela gigantesca cobertura de água e lá
longe visualiza um navio e fica a pensar. Depois olha para a maresia prende a
atenção no movimento da formação das ondas. Começa a lembrar de quando conheceu
Eduardo, o esposo.
Tempos
em tempos, Mariana visitava aos finais de semana uma prima que morava na Estrada do Matadouro com a Oito de Maio. Aos domingos, seguia para orla com a
sua prima e passeava por ali por horas. Muitas vezes ficava até a noite
conversando com amigos e amigas que ali também se encontravam.
Já o Eduardo,
era filho de um artesão de cerâmica marajoara e aos domingos ajudava o seu
Jerônimo na venda na orla. Carregava muitas vezes sacolas com vários tipos de
cerâmicas. A família do seu pai é de Soure e foi lá que o senhor virou artesão aprendeu o ofício com os irmãos e foi
enterrado vítima de uma doença cerebral.
Nesse momento, Mariana olha para o
Eduardo que vem chegando ao seu lado e fala:
-
Lembra-se daquele dia amor?
-
Claro meu bem.
-
Você era tão tímido, hoje ainda também.
-
Hoje menos, mas naquele tempo era demais. Quase não falo com você naquela
tarde.
-
Verdade. Passei por você varias vezes e nunca me olhava. Fiquei surpresa quando
você falou comigo.
-
Sim, fiquei por um longo tempo pensando o que iria dizer para você.
A
lembrança era de uma tarde chuvosa de quando o Eduardo ficou sentado em um
banco da orla para descansar depois de trabalho intenso. Fazia o oficio aos
finais de tardes, gostava de ficar olhando o movimento. Naquele dia aconteceu
algo diferente, notou uma menina que andava a procura de pipoca, sentiu algo
que ainda não tinha sentido antes.
Ele olhava
sem que a garota percebesse e quando a menina chegava perto se retraia. Até que
em certo momento aquela jovem pediria uma informação para o garoto Eduardo:
-
Você poderia me informa aonde é a Praia do Cruzeiro?
- Oh...é...fica
pra lá.
-
Obrigada!
-
Tudo bem.
Naquele
dia ficou a noite pensando naquela fala
meiga e o jeito que escutou e como
aquela pessoa andava com harmonia. Na casa dentro da rede, articulava a melhor
forma de falar quando se encontrasse com aquela menina. No outro domingo ficou
no mesmo banco da orla esperando a passagem da garota e se concretizou pouco
tempo depois..
Aquele
dia Eduardo deixou a vergonha de lado e falou com Mariana. Desde aquele momento os dois não saem um do lado do outro. Casaram-se e tiveram filhos e hoje andam
e seguem tocando a vida.
Mariana
olhando um banco vazio fala:
- Lá
foi o nosso primeiro beijo mor.
- Sim
amor.
Ambos
sentam no banco e começam a sorrir dos primeiros passos de Glória e o dia que
seu Jerônimo deu um vaso vermelho que se quebrou no tropeço de Eduardo. Em certo
momento da conversa, um dos irmãos de Glória chega e pede para que o pai compre
algodão doce, o mesmo olha para o carro do produto e segue para a compra.
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